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Emails a ir para spam? Guia de SPF, DKIM e DMARC para PME

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Rocket Fuel Ads
há 2 dias
8 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Envia a newsletter, a campanha de Black Friday ou o email de boas-vindas e os resultados não aparecem. As aberturas caem, as vendas por email descem e alguns clientes dizem que nunca receberam nada. Em muitos casos, o problema não está no texto nem na oferta. Está na configuração técnica do domínio.


Desde fevereiro de 2024, o Gmail exige que quem envia email prove que é quem diz ser. O Yahoo e o Outlook, da Microsoft, seguiram o mesmo caminho. E, desde novembro de 2025, o Gmail reforçou a aplicação destas regras: as mensagens que não as cumprem podem ser rejeitadas, de forma temporária ou permanente. Neste guia explicamos, sem jargão, o que tem de configurar e como verificar se está tudo certo.


Imagine uma loja online que envia uma campanha para 15.000 contactos antes da Black Friday. Se uma parte desses emails for rejeitada ou acabar no spam, a loja perde vendas sem perceber porquê. E o problema não fica pelas newsletters: pode atingir também os emails de carrinho abandonado, de boas-vindas e as outras automações que vendem todos os dias, sem que ninguém dê por isso.


Porque é que os seus emails vão para spam


Os fornecedores de email recebem volumes enormes de mensagens e têm de decidir, em segundos, quais merecem chegar à caixa de entrada. Para isso olham para três coisas:


  • Autenticação: o domínio prova que autorizou aquele envio?

  • Reputação: quantas pessoas marcam os seus emails como spam?

  • Facilidade de saída: o destinatário consegue cancelar a subscrição sem esforço?


A autenticação é o primeiro passo para que os fornecedores confiem nos seus envios. Se estiver mal configurada, os emails podem ir para spam ou até ser rejeitados. Mas passar nos testes de autenticação não garante a chegada à caixa de entrada: a reputação do domínio e a qualidade dos envios continuam a contar.


O que o Gmail, o Outlook e o Yahoo exigem hoje


As regras de remetentes do Gmail dividem-se em dois níveis.


Para todos os remetentes


  • Configurar SPF ou DKIM no domínio de envio.

  • Ter registos DNS diretos e inversos válidos e usar ligação TLS (os fornecedores de email marketing tratam disto).

  • Manter a taxa de spam reportada no Postmaster Tools abaixo de 0,3%.

  • Não se fazer passar por um endereço @gmail.com no campo "De".


Para quem envia perto de 5.000 emails em 24 horas para contas Gmail pessoais


  • Configurar SPF e DKIM.

  • Publicar uma política DMARC (pode ser p=none).

  • Alinhar o domínio do campo "De" com o domínio do SPF ou do DKIM.

  • Permitir o cancelamento da subscrição com um clique nos emails de marketing. Não basta o link no rodapé: o mecanismo técnico vai nos cabeçalhos da mensagem, e a plataforma de envio tem de o incluir. Os pedidos devem ser tratados em 2 dias.


Atenção a um detalhe que apanha muitas PME de surpresa: segundo as perguntas frequentes do Gmail, o limite conta as mensagens enviadas para contas Gmail pessoais num período de 24 horas, e basta atingi-lo uma vez para ser considerado remetente em massa de forma permanente. Todos os envios do mesmo domínio principal contam para o limite. Uma loja com 20.000 contactos que faz uma campanha de Natal pode entrar nesta categoria, mesmo que no resto do ano envie pouco.


O cancelamento com um clique aplica-se aos emails de marketing e de subscrição. Os emails puramente transacionais, como confirmações de encomenda ou recuperação de palavra-passe, ficam de fora desta regra, mas continuam a precisar de autenticação.


Outlook, Hotmail e Live (Microsoft)


A Microsoft passou a aplicar regras semelhantes no Outlook.com e nos restantes serviços de email pessoal (Hotmail, Live.com, MSN). Segundo a página de apoio do Outlook, quem envia 5.000 ou mais mensagens para estes serviços com o mesmo domínio no campo "De" tem de cumprir três pontos:


  • SPF e DKIM publicados e válidos.

  • Um registo DMARC (pode ser p=none, quarantine ou reject).

  • Mensagens que passam o DMARC, com o SPF ou o DKIM alinhado com o domínio do campo "De".


A diferença é que aqui não há meio-termo: as mensagens que falham são rejeitadas com o erro "550 5.7.515 Access denied". Não vão para o spam, simplesmente não chegam. Se vende para empresas, lembre-se também de que muitas caixas de correio empresariais estão no Microsoft 365, com filtros próprios geridos por cada organização, e um domínio bem autenticado parte sempre em vantagem.


Yahoo


O Yahoo separa as regras em dois níveis, segundo as suas boas práticas para remetentes. Todos os remetentes têm de ter pelo menos SPF ou DKIM, registos DNS válidos e uma taxa de spam abaixo de 0,3%. Quem envia em massa tem ainda de configurar SPF e DKIM, publicar uma política DMARC de pelo menos p=none com o domínio alinhado, oferecer cancelamento com um clique e processar os pedidos de cancelamento em 2 dias.


A conclusão é simples: mesmo que hoje não seja um remetente em massa, configure tudo. É a forma mais segura de não ter surpresas na próxima campanha grande.


SPF, DKIM e DMARC explicados em português simples


SPF: é um registo publicado no DNS que identifica os servidores autorizados a enviar emails em nome de um domínio. Por exemplo, o Google Workspace para os emails do dia a dia e o Mailchimp, Brevo ou Klaviyo para as newsletters. Atenção: o SPF verifica o domínio do endereço técnico de retorno (Return-Path), que pode não ser o mesmo que o cliente vê no campo "De". Muitas plataformas de email marketing usam um domínio próprio para esse endereço. Por isso, o SPF sozinho não chega e deve ser configurado em conjunto com o DKIM e o DMARC.


DKIM: é uma assinatura digital que o serviço de envio coloca em cada mensagem. O destinatário confirma, através de uma chave publicada no seu DNS, que o email não foi alterado pelo caminho e que veio mesmo de si.


DMARC: é uma política que verifica se o domínio apresentado ao destinatário corresponde ao domínio autenticado pelo SPF ou pelo DKIM. Basta que um destes mecanismos passe e esteja alinhado. Pode acontecer o contrário do que se espera: SPF e DKIM com resultado PASS e, mesmo assim, o DMARC falhar, porque ambos autenticam o domínio da plataforma e não o seu. O DMARC também indica aos fornecedores o que fazer com as mensagens que falham e para onde enviar relatórios. Começa-se com p=none (apenas monitorizar) e, quando os relatórios estiverem limpos, pode subir-se para quarantine ou reject, o que protege a marca contra falsificações.


O alinhamento é a peça que liga tudo: o domínio apresentado no campo "De" (por exemplo, loja.pt) tem de corresponder ao domínio autenticado pelo SPF ou pelo DKIM. Na modalidade predefinida, um subdomínio do mesmo domínio principal (por exemplo, news.loja.pt) também é aceite. Enviar como geral@loja.pt através de uma ferramenta que assina com o domínio dela, e não com o seu, é um dos erros mais comuns. É por isso que configurar o domínio de envio na plataforma de email marketing é tão importante.


Passo a passo para configurar


  1. Faça o inventário. Liste todas as ferramentas que enviam email com o seu domínio: email da empresa, plataforma de newsletters, loja online (confirmações de encomenda), CRM, faturação.

  2. Ative a autenticação em cada ferramenta. Nas definições de domínio da plataforma de email marketing existe quase sempre uma opção do tipo "autenticar domínio". A ferramenta dá-lhe os registos (TXT ou CNAME) a copiar.

  3. Verifique o SPF. Cada domínio ou subdomínio só pode ter um registo SPF; se tiver dois, os fornecedores consideram-no inválido. Confirme quais os serviços que precisam mesmo de estar nesse registo, porque alguns usam um endereço de retorno próprio e não precisam. Não acrescente serviços desnecessários e tenha atenção ao limite técnico de 10 pesquisas DNS por registo. Em caso de dúvida, siga as instruções de cada fornecedor.

  4. Adicione os registos no DNS. Entre no painel do serviço que gere o DNS do seu domínio, que pode não ser o mesmo onde comprou o .pt ou o .com (por exemplo, a plataforma da loja ou um serviço como o Cloudflare), e cole os registos. A propagação pode demorar algumas horas.

  5. Publique o DMARC. Um ponto de partida é criar um registo TXT em _dmarc.oseudominio.pt com o valor v=DMARC1; p=none; rua=mailto:dmarc@oseudominio.pt, trocando o domínio e o endereço pelos seus. Confirme que essa caixa existe e recebe mensagens. Os relatórios chegam em ficheiros XML, pouco legíveis, por isso vale a pena usar uma ferramenta de análise de relatórios DMARC. Lembre-se de que p=none só monitoriza: depois de confirmar todos os serviços legítimos de envio, reforce a política para quarantine e, mais tarde, reject.

  6. Confirme o cancelamento com um clique. As principais plataformas de email marketing já incluem o cabeçalho necessário, mas confirme que está ativo e que cada email tem um link de cancelamento visível no rodapé.

  7. Teste. Envie emails reais de cada ferramenta para uma conta Gmail, abra o menu da mensagem e escolha "Mostrar original". O ideal é ver PASS em SPF, DKIM e DMARC, e confirmar que o DMARC passa com o seu domínio. Repita o teste para as confirmações de encomenda, as newsletters e as automações, e também com uma conta Outlook.com.


Depois da configuração: proteger a reputação


A autenticação abre a porta, mas é o comportamento dos destinatários que decide se fica dentro. O Gmail recomenda manter a taxa de spam abaixo de 0,1% e nunca chegar aos 0,3%. Na prática:


  • Use o Google Postmaster Tools. É gratuito: adiciona o domínio, verifica-o com um registo TXT ou CNAME e passa a ver a taxa de spam dos seus envios para o Gmail. O painel de estado de conformidade (Compliance status) mostra se cumpre as regras para remetentes. Com volumes baixos os gráficos podem ficar vazios, o que é normal.

  • Envie apenas para quem deu consentimento. Listas compradas são a via mais rápida para a pasta de spam, e também um problema à luz do RGPD.

  • Limpe a lista com regularidade. Contactos que não interagem há meses baixam o envolvimento e aumentam o risco de queixas. Não decida só pelas aberturas: funcionalidades de privacidade, como a do Apple Mail, tornam esse número pouco fiável. Olhe também para cliques e compras.

  • Cumpra o que prometeu no registo. Se a pessoa subscreveu dicas mensais, enviar promoções diárias gera denúncias.

  • Torne o cancelamento fácil. Um cliente que não encontra o link carrega em "Denunciar spam", e isso pesa muito mais.


Importante: SPF, DKIM e DMARC não garantem que os emails cheguem à caixa de entrada. São a base técnica de uma boa entregabilidade. A reputação do domínio, a qualidade da lista e a relevância das mensagens continuam a ser determinantes.


Sinais de que precisa de agir já


  • Taxas de abertura ou de cliques que caíram de repente sem mudança de conteúdo.

  • Clientes que encontram os seus emails na pasta de spam, mensagens rejeitadas ou campanhas com quedas acentuadas de entregabilidade. Estar no separador Promoções do Gmail, por si só, não é um problema: é uma categoria da caixa de entrada.

  • Mensagens devolvidas com códigos de rejeição do Gmail ou com o erro 550 5.7.515 do Outlook.

  • Automações, como o email de carrinho abandonado, que deixaram de gerar vendas sem razão aparente.

  • Não sabe responder à pergunta "que ferramentas enviam email com o nosso domínio?".


Se se revê em algum destes pontos, vale a pena rever a configuração antes da próxima campanha importante, sobretudo antes da Black Friday e do Natal, quando cada email conta. O email continua a ser um canal importante para PME e lojas online, mas só funciona se chegar à caixa de entrada. Na Rocket Fuel Ads tratamos da parte técnica e da estratégia de email marketing, com automações e newsletters que vendem, em articulação com o SEO e os anúncios.


Conclusão


Para quem envia em massa, SPF, DKIM e DMARC já são obrigatórios no Gmail, no Outlook e no Yahoo. Para os restantes, são a configuração recomendada e a base para os emails chegarem a quem os pediu. Na maioria dos casos, configurá-los demora pouco tempo, não tem custos adicionais e evita perder vendas sem perceber porquê. Depois, cuide da reputação: consentimento, listas limpas e cancelamento fácil.


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